PERISPÍRITO: CONCEITO E NATUREZA
Allan Kardec indaga aos Espíritos Superiores:
O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?
A que os Espíritos respondem:
“Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.”2
Comentando essa resposta, Kardec cria a palavra perispírito (do grego peri, em torno, e do latim spiritus, alma, espírito) para designar esse envoltório do Espírito, por comparação com o perisperma, que envolve o gérmen do fruto.2 Hão dito [afirma Kardec] que o Espírito é uma chama, uma centelha. Isto se deve entender com relação ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, a que se não poderia atribuir forma determinada. Mas, qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e se eleva na hierarquia espiritual. De sorte que, para nós, a ideia de forma é inseparável da de Espírito e não concebemos uma sem a outra. O perispírito faz, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem. Porém, o perispírito, só por só, não é o Espírito, do mesmo modo que só o corpo não constitui o homem, porquanto o perispírito não pensa. Ele é para o Espírito o que o corpo é para o homem: o agente ou instrumento de sua ação.4
Quando encarnado o Espírito, o perispírito é o laço que o prende ao corpo físico. Esse laço [...] é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal [...].1 O homem é, portanto, formado de três partes essenciais: 1o) o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2o) a alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação; 3o) o princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. Tal, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca.3
A respeito do uso dos termos alma e Espírito, Kardec assinala: Seria mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e o termo Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico; mas como não se pode conceber o princípio inteligente isolado da matéria, nem o perispírito sem ser animado pelo princípio inteligente, as palavras alma e Espírito são, no uso, indiferentemente empregadas uma pela outra [...]; filosoficamente, porém, é essencial fazer-se a diferença.5
É oportuno ressaltar que o perispírito tem tido outras denominações, das quais destacamos: corpo espiritual ou psicossoma (Espírito André Luiz); corpo fluídico (Leibniz); mediador plástico (Cudworth); e modelo organizador biológico (Ernani G. Andrade).6
O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer?
A que os Espíritos respondem:
“Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.”2
Comentando essa resposta, Kardec cria a palavra perispírito (do grego peri, em torno, e do latim spiritus, alma, espírito) para designar esse envoltório do Espírito, por comparação com o perisperma, que envolve o gérmen do fruto.2 Hão dito [afirma Kardec] que o Espírito é uma chama, uma centelha. Isto se deve entender com relação ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, a que se não poderia atribuir forma determinada. Mas, qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e se eleva na hierarquia espiritual. De sorte que, para nós, a ideia de forma é inseparável da de Espírito e não concebemos uma sem a outra. O perispírito faz, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem. Porém, o perispírito, só por só, não é o Espírito, do mesmo modo que só o corpo não constitui o homem, porquanto o perispírito não pensa. Ele é para o Espírito o que o corpo é para o homem: o agente ou instrumento de sua ação.4
Quando encarnado o Espírito, o perispírito é o laço que o prende ao corpo físico. Esse laço [...] é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal [...].1 O homem é, portanto, formado de três partes essenciais: 1o) o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2o) a alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação; 3o) o princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo. Tal, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca.3
A respeito do uso dos termos alma e Espírito, Kardec assinala: Seria mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e o termo Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico; mas como não se pode conceber o princípio inteligente isolado da matéria, nem o perispírito sem ser animado pelo princípio inteligente, as palavras alma e Espírito são, no uso, indiferentemente empregadas uma pela outra [...]; filosoficamente, porém, é essencial fazer-se a diferença.5
É oportuno ressaltar que o perispírito tem tido outras denominações, das quais destacamos: corpo espiritual ou psicossoma (Espírito André Luiz); corpo fluídico (Leibniz); mediador plástico (Cudworth); e modelo organizador biológico (Ernani G. Andrade).6