← Sumário Fundamentação Teórica

ORIGEM E NATUREZA DO ESPÍRITO

4.1 ORIGEM DO ESPÍRITO

Ensina a Doutrina Espírita que o espírito (escrito em letra minúscula) é o [...] princípio inteligente do Universo,6 sendo a inteligência seu atributo essencial.7 Esse princípio inteligente, que tem sua origem no [...] elemento inteligente universal,21 passa por um processo de elaboração e individualização até transformar-se no ser denominado Espírito.4, 23 Assim, a palavra Espírito, tanto é empregada para designar o princípio inteligente do Universo, quanto para designar esse mesmo princípio após a sua individualização. O Espírito (princípio inteligente individualizado) é criado por Deus. Não é, porém, uma emanação ou uma porção da Divindade. É sua obra, [...] exatamente como uma máquina o é do homem que a fabrica. Esta máquina é obra do homem, não é o próprio homem [...].10 Deus cria o Espírito pela sua vontade, como o faz em relação a tudo no Universo.13 Como Deus jamais deixou de criar, a criação dos Espíritos é permanente.12 O Espírito é a individualização do princípio inteligente assim como o corpo é a individualização do princípio material.11 Essa individualização do princípio inteligente se efetua numa série de existências que precedem o período da Humanidade,22 existências essas em que o princípio inteligente passa a primeira fase do seu desenvolvimento, ensaiando-se para a vida. Esse seria para o Espírito, por assim dizer, o seu período de incubação.4 [...] É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos [...].23

4.2 EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO INTELIGENTE

A propósito, ensinam os Espíritos Superiores que os elementos orgânicos formadores dos germens que propiciaram a união do princípio inteligente à matéria achavam-se, “[...] por assim dizer, em estado de fluido no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começarem existência nova em novo globo”.9 Depois de criada a Terra, esses germens ficaram aguardando as condições propícias para se desenvolverem no planeta.8Assim, podemos dizer que o princípio inteligente se individualiza [...] lentamente por um processo de elaboração das formas inferiores da natureza, a fim de atingir gradativamente a Humanidade [...]. Por meio de mil modelos inferiores, nos labirintos de uma escalada ininterrupta; por meio das mais bizarras formas; sob a pressão dos instintos e a sevícia de forças inverossímeis [...] vai tendendo para a luz, para a consciência esclarecida, para a liberdade... Esses inúmeros avatares, em milhares de organismos diferentes, devem dotar [...] [o princípio inteligente] de todas as forças que lhe hajam de servir mais tarde. Eles têm por objeto desenvolver o envoltório fluídico, dar-lhe a necessária plasticidade, fixando nele as leis cada vez mais complexas que regem as formas vivas, criando-lhes, assim, um tesouro [potencial], mediante o qual possam, um dia, manipular a matéria, de modo inconsciente, para que o Espírito possa operar sem o entrave dos liames terrestres. Quem recusará ver nos milhões de existências a palpitarem no planeta a elaboração sublime da inteligência, prosseguindo incessante na extensão indefinita do tempo e do espaço? São as eternas leis da evolução que arrastam o princípio inteligente a destinos cada vez mais altanados, para um futuro sempre melhor, desdobrando-se em panorama de renovadas perspectivas, a partir da idade primária aos nossos dias. [...] Não foi o acaso que gerou essas espécies animais e vegetais. No seu desfile, a consequente possui sempre algo mais que a antecedente e, quando a Ciência nos desvenda os quadros sucessivos dessas transmutações, é que vemos a inapreciável riqueza nelas contida, a ampliar-se sempre. Quanta majestade nessas fases de transição! Que grandeza nessa marcha lenta, porém firme, para chegar ao homem, florescência da força criadora joia que resume e sintetiza todo o progresso [...]24

Tudo no Universo está submetido à Lei do Progresso. [...] Desde a célula verde, desde o embrião errante, boiando à flor das águas, a cadeia das espécies [diferentes manifestações do princípio inteligente] tem-se desenrolado através de séries variadas, até nós. Cada elo dessa cadeia representa uma forma da existência que conduz a uma forma superior, a um organismo mais rico, mais bem adaptado às necessidades, às manifestações crescentes da vida; mas, na escala da evolução, o pensamento, a consciência e a liberdade só aparecem passados muitos graus. Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se, e torna-se consciente [...].25

A união do princípio inteligente à matéria, assim como o processo evolutivo desse mesmo princípio inteligente, até atingir a sua individualização plena, são descritos pelo Espírito André Luiz da seguinte maneira: A matéria elementar [...] dera nascimento à província terrestre, no estado solar a que pertencemos [...]. A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e, sob o impulso dos gênios construtores, que operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva. Dessa geleia cósmica, verte o princípio inteligente, em suas primeiras manifestações... Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes [princípio inteligente] exprimem-se no mundo pela rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria a existência organizada no globo constituído. Séculos de atividade silenciosa perpassam, sucessivos...26 [por meio dos quais o princípio inteligente faz seu longo percurso pelos reinos da Natureza até atingir a faixa da razão]. Das cristalizações atômicas e dos minerais, dos vírus e do protoplasma, das bactérias e das amebas, das algas e dos vegetais do período pré-cambriano aos fetos e às licopodiáceas, aos trilobites e cistídeos, aos cefalópodes, foraminíferos e radiolários dos terrenos silurianos, o princípio espiritual [ou princípio inteligente] atingiu os espongiários e celenterados da era paleozoica, esboçando a estrutura esquelética. Avançando pelos equinodermos e crustáceos, entre os quais ensaiou, durante milênios, o sistema vascular e o nervoso, caminhou na direção dos ganoides e teleósteos, arquegossauros e labirintodontes para culminar nos grandes lacertinos e nas aves estranhas, descendentes dos pterossáurios, no jurássico superior, chegando à época supracretácea para entrar na classe dos primeiros mamíferos, procedentes dos répteis teromorfos. Viajando sempre, adquire entre os dromatérios e anfitérios os rudimentos das reações psicológicas superiores, incorporando as conquistas do instinto e da inteligência.27 Estagiando nos marsupiais e cetáceos do eoceno médio, nos rinocerotídeos, cervídeos, antilopídeos, equídeos, canídeos, proboscídeos e antropoides inferiores do mioceno e exteriorizando-se nos mamíferos mais nobres do plioceno, incorpora aquisições de importância entre os megatérios e mamutes, precursores da fauna atual da Terra, e, alcançando os pitecantropoides da era quaternária, que antecederam as embrionárias civilizações paleolíticas, a mônada vertida do plano espiritual sobre o planeta físico atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.28 Compreendendo-se, porém, que o princípio divino aportou na Terra, emanando da esfera espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo a que se destina, qual a bolota de carvalho encerrando em si a árvore veneranda que será de futuro, não podemos circunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente considerado, porquanto, por meio do nascimento e morte da forma, sofre constantes modificações nos dois planos em que se manifesta, razão pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos naturalistas, por representarem estágios da consciência fragmentária fora do campo carnal propriamente dito, nas regiões extrafísicas, em que essa mesma consciência incompleta prossegue elaborando o seu veículo sutil, então classificado como protoforma humana, correspondente ao grau evolutivo em que se encontra.29

Como se vê, por tudo que foi exposto, o princípio inteligente vai modelando, ao longo das eras, em seu processo de individualização, não só as suas estruturas físicas, mas também o seu envoltório fluídico, até tornar-se Espírito e estar apto para ingressar no período da Humanidade. Esse processo de modelagem, contudo, não se interrompe aí, antes se aprimora, pela evolução do Espírito, conforme deflui do seguinte ensino de Kardec: O corpo é, pois, o envoltório e o instrumento do Espírito e, à medida que este adquire novas aptidões, reveste outro invólucro apropriado ao novo gênero de trabalho que lhe cabe executar, tal qual se faz com o operário, a quem é dado instrumento menos grosseiro, à proporção que ele se vai mostrando apto a executar obra mais bem cuidada.1 Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio Espírito que modela o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talha-o de acordo com a sua inteligência. Deus lhe fornece os materiais; cabe-lhe a ele empregá-los [...].2 Desde que um Espírito nasce para a vida espiritual, tem, por adiantar-se, que fazer uso de suas faculdades, rudimentares a princípio. Por isso é que reveste um envoltório adequado ao seu estado de infância intelectual, envoltório que ele abandona para tomar outro, à proporção que se lhe aumentam as forças [...]3

Quanto ao envoltório fluídico do Espírito, esse também se modifica com o progresso moral que o Espírito realiza em cada encarnação.5

4.3 NATUREZA DO ESPÍRITO

Existem poucas informações a respeito da natureza do Espírito. Dizem os Espíritos Superiores que o Espírito – na sua condição de princípio inteligente individualizado –, é incorpóreo, constituído de matéria quintessenciada, ainda sem analogia para nós.14 A sua forma é também, para nós, indefinida. Podemos compreendê-lo como uma chama, um clarão, ou a uma centelha, tendo uma coloração que vai do escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, de acordo com a sua menor ou maior pureza.15, 16 Em virtude da sua natureza, o Espírito pode transportar-se com a rapidez do pensamento, sem que a matéria mais densa lhe ofereça qualquer obstáculo.17, 18 O seu poder de irradiação se amplia, à medida que evolui, podendo, assim, projetar-se para diversos pontos ao mesmo tempo, sem se dividir, consistindo, nisso, o chamado dom de ubiquidade dos Espíritos.19, 20